O hirsutismo da mulher é uma alteração frequente e perturbadora definida como um excesso de pêlos com um padrão de distribuição de tipo masculino. Os locais mais frequentemente afectados são a face, o pescoço, os membros, as mamas, a linha branca, a porção inferior das costas, o triângulo púbico superior e a face interna das coxas. O pêlo indesejado é grosseiro, comprimido e frequentemente pigmentado.
A velha classificação distinguia o hirsutismo induzido por androgénios (hiperandrogenismo), do não induzido por androgénios (familiar e idiopático) e do induzido por fármacos. Actualmente, a literatura reflecte o facto de, embora o uso de determinados fármacos poder induzir o crescimento de pêlos em excesso, a maior parte das mulheres que sofrem deste problema têm níveis excessivos de androgénios em circulação ou perifericamente.
O hirsutismo pode ser considerado como fazendo parte da síndrome de excesso de androgénios a menos que possa encontrar-se outra causa (por ex., um tumor masculinizante, ou o uso de um fármaco com efeito androgenizante). A avaliação médica do excesso de androgénios de início tardio ou transitório, a síndrome do ovário policístico ou a insulinorresistência são importantes, dado os riscos do excesso crónico de androgénios. O tratamento da resistência à insulina com antiandrogénios e/ou fármacos que diminuam a insulina podem reduzir os níveis de testosterona de origem ovárica e o hirsutismo.
Uma avaliação laboratorial simples (i.e., o doseamento da testosterona total e livre, do SDHEA e da androstenediona) identifica cerca de metade dos doentes com hiperandrogenismo. Uma avaliação mais alargada é necessária na metade restante.
As terapêuticas de combinação, especificamente as que usam contraceptivos orais com antiandrogénios, são as mais eficazes. Vários estudos sugerem que a adição de um agonista da GnRH em doses baixas pode prolongar o período de remissão do hirsutismo. A maior parte dos esquemas de tratamento leva a uma melhoria dentro de 6 meses, que se acentua nos 12 meses seguintes. O sucesso do tratamento traduz-se pelo aparecimento de pêlos mais finos, redução do ritmo de crescimento, redução da necessidade de camuflagem ou depilação e melhoria do aspecto. Todos os métodos, quer usados de forma contínua ou intermitente, devem ser considerados como tratamentos de longo prazo.
Vários fármacos podem ser causa de hirsutismo localizado ou generalizado. Estes fármacos são, por sua vez, divididos em dois grupos: com actividade androgénica e com actividade não androgénica.
Os fármacos com actividade androgénica mais frequentemente usados são a testosterona, o sulfato de dehidroepiandrosterona (DHEAS), o danazol, a corticotrofina, doses altas de corticosteróides, a metirapona, os derivados fenotiazínicos, os esteróides anabolizantes, os progestagénios com propriedades androgénicas e a acetazolamida.
Os fármacos não androgénicos que mais frequentemente causam hirsutismo são a ciclosporina, a fenitoína, o diazóxido, o triamtereno-hidroclorotiazida, o minoxidil, o hexaclorobenzeno, a penicilamina e os psoralenos.