Herpes zoster agudo e cronico

Enviado por Vorty em Sábado, 06/21/2008 - 18:27

O herpes zoster é o rei supremo no campo da dermatologia em termos de dor, rivalizando com a cólica renal, biliar e abrasões da córnea. A infecção pelo vírus da varicela-zoster, o mais pequeno dos oito vírus herpes conhecidos, leva, aquando da primeira exposição, a varicela ou «bexigas».

A reactivação, num indivíduo imunocompetente, surge como herpes zoster, ou zona. Existe grande probabilidade de que se trate de uma reactivação endógena a partir de um foco lactente nos gânglios das raízes dorsais e não de uma reinfecção exógena.

Com a população em geral a envelhecer, o herpes dermatológicas surgem à medida que a imunidade diminui com a idade mas raramente constituem um problema significativo, excepto em casos em que são envolvidas as estruturas oculares. A dor é uma preocupação maior, porque geralmente acompanha e pode mesmo preceder e persistir após as erupções agudas. Na maioria dos doentes jovens, a dor é transitória e suportável. Infelizmente, nos idosos — que têm um risco maior de herpes zoster — a dor é frequentemente mais prolongada e mais intensa. Apesar do amplo espectro de intervenções, os esforços paliativos continuam bastante ineficazes.

Actualmente, a intervenção mais precoce possível, idealmente dentro de 48 a 72 horas após o início da doença, oferece a maior possibilidade de minimizar as sequelas neurológicas.

A vacinação contra a varicela em doentes com idades entre 55 e 65 anos pode vir a mostrar aumentar suficientemente a imunidade celular de forma a que a recrudescência do vírus da varicela possa ser relegada para os anais da história.

Factores de risco

Um ataque de herpes zoster geralmente desencadeia imunidade celular suficiente para obter resistência para toda a vida a um segundo ataque. Infelizmente, entre os doentes que não têm mecanismos imunológicos adequados, ocorre muito frequentemente doença recorrente ou mesmo persistente. A diminuição da função das células T citotóxicas CD4+, como as que se encontram em doentes com infecção por VIH, leucemia, doença de Hodgkin, ou linfoma não-Hodgkin e nos sujeitos a terapêutica imunossupressora ou transplante de medula, prediz tipicamente uma evolução tempestuosa.

A disseminação, tipicamente hematogénea, é definida como o aparecimento de 20 ou mais vesículas para além do local original ou a ocorrência de envolvimento visceral com sintomas geralmente referidos aos pulmões, fígado ou sistema nervoso central. Apesar de preocupações com a doença subjacente, a maioria dos ataques de herpes zoster ocorre em idosos saudáveis (embora azarados).

Por razões ainda por testar, a incidência de herpes zoster é duas a quatro vezes maior em doentes de raça branca do que na raça negra. A incidência nos homens e nas mulheres é sensivelmente a mesma. Os adultos com reexposição frequente a episódios clínicos de varicela (por ex., através dos seus filhos ou netos) parecem ter um reforço da sua imunidade e por isso têm menor incidência de doença clínica. Assim, não será de estranhar que haj a menos pediatras do que psiquiatras que têm herpes zoster.

Actualmente, o risco desta doença durante a vida é de 20%, mas a próxima geração poderá beneficiar da vacinação generalizada e poderá assistir-se a uma redução acentuada dos casos.