O herpes zoster é o rei supremo no campo da dermatologia em termos de dor, rivalizando com a cólica renal, biliar e abrasões da córnea. A infecção pelo vírus da varicela-zoster, o mais pequeno dos oito vírus herpes conhecidos, leva, aquando da primeira exposição, a varicela ou «bexigas».
A reactivação, num indivíduo imunocompetente, surge como herpes zoster, ou zona. Existe grande probabilidade de que se trate de uma reactivação endógena a partir de um foco lactente nos gânglios das raízes dorsais e não de uma reinfecção exógena.
Com a população em geral a envelhecer, o herpes dermatológicas surgem à medida que a imunidade diminui com a idade mas raramente constituem um problema significativo, excepto em casos em que são envolvidas as estruturas oculares. A dor é uma preocupação maior, porque geralmente acompanha e pode mesmo preceder e persistir após as erupções agudas. Na maioria dos doentes jovens, a dor é transitória e suportável. Infelizmente, nos idosos — que têm um risco maior de herpes zoster — a dor é frequentemente mais prolongada e mais intensa. Apesar do amplo espectro de intervenções, os esforços paliativos continuam bastante ineficazes.
Actualmente, a intervenção mais precoce possível, idealmente dentro de 48 a 72 horas após o início da doença, oferece a maior possibilidade de minimizar as sequelas neurológicas.
A vacinação contra a varicela em doentes com idades entre 55 e 65 anos pode vir a mostrar aumentar suficientemente a imunidade celular de forma a que a recrudescência do vírus da varicela possa ser relegada para os anais da história.
Um ataque de herpes zoster geralmente desencadeia imunidade celular suficiente para obter resistência para toda a vida a um segundo ataque. Infelizmente, entre os doentes que não têm mecanismos imunológicos adequados, ocorre muito frequentemente doença recorrente ou mesmo persistente. A diminuição da função das células T citotóxicas CD4+, como as que se encontram em doentes com infecção por VIH, leucemia, doença de Hodgkin, ou linfoma não-Hodgkin e nos sujeitos a terapêutica imunossupressora ou transplante de medula, prediz tipicamente uma evolução tempestuosa.
A disseminação, tipicamente hematogénea, é definida como o aparecimento de 20 ou mais vesículas para além do local original ou a ocorrência de envolvimento visceral com sintomas geralmente referidos aos pulmões, fígado ou sistema nervoso central. Apesar de preocupações com a doença subjacente, a maioria dos ataques de herpes zoster ocorre em idosos saudáveis (embora azarados).
Por razões ainda por testar, a incidência de herpes zoster é duas a quatro vezes maior em doentes de raça branca do que na raça negra. A incidência nos homens e nas mulheres é sensivelmente a mesma. Os adultos com reexposição frequente a episódios clínicos de varicela (por ex., através dos seus filhos ou netos) parecem ter um reforço da sua imunidade e por isso têm menor incidência de doença clínica. Assim, não será de estranhar que haj a menos pediatras do que psiquiatras que têm herpes zoster.
Actualmente, o risco desta doença durante a vida é de 20%, mas a próxima geração poderá beneficiar da vacinação generalizada e poderá assistir-se a uma redução acentuada dos casos.