Dermites de Contacto

Enviado por Vorty em Sábado, 06/21/2008 - 19:09

A dermite/dermatite ou eczema de contacto é uma das patologias mais frequentes observada nas consultas de dermatologia, podendo ter repercussão a nível da actividade ocupacional, laboral e até de hábitos pessoais. Dada a limitação de espaço, este artigo não pode ser mais que uma introdução a um tema tão vasto e interessante que mantém constante pesquisa e actualidade na ciência médica.

Ao falar-se de dermite de contacto há que distinguir duas formas: a dermite de contacto irritativa e também a dermite de contacto alérgica.

A frequência destas situações na população é desconhecida. Geralmente, os estudos epidemiológicos incidem em grupos populacionais específicos: ocupacionais e laborais ou doentes observados em consulta. No entanto, estima-se uma prevalência de 1,5 a 5,4% de dermites de contacto (irritativa e alérgica), num universo de 9% de todas as formas de eczema havendo uma prevalência entre 2,3 a 6,2% das dermatites das mãos. Em estudos randomizados em doentes das consultas de Dermatologia, cerca de 20% de mulheres admitiram terem ou terem tido no passado dermite das mãos, podendo a prevalência de dermites de contacto chegar a 7% nesses grupos avaliados.

Há muitas substâncias, actuando como irritantes, que provocam uma reacção inflamatória não alérgica da pele. Este tipo de dermatite pode ocorrer em qualquer indivíduo se houver exposição a concentrações suficientemente elevadas de componentes irritantes, sem necessidade de contactos prévios, podendo os efeitos manifestarem-se ao fim de minutos ou de poucas horas. A gravidade dos sinais e sintomas e o tempo de manifestação no indivíduo variam em função da condição da superfície corporal, do tempo de exposição e da concentração do irritante. A pele pode estar mais vulnerável em situações de maceração por excessiva humidade, frio, calor ou fricção. 0 mecanismo causal resulta da agressão directa e consequente lesão da estrutura epidérmica. A reacção é aguda no caso de estímulo intenso, como sucede com álcalis e ácidos concentrados, sub aguda ou crónica, quando a acção é pouco acentuada ou acontece por efeito cumulativo. A exposição repetida a irritantes menos potentes pode levar, com o tempo, a um efeito de "endurecimento" e aumentar a resistência da pele a esses componentes ou também, com base em posterior sensibilização, originar a dermite de contacto alérgica. Os irritantes primários comuns são:

Irritantes Primários

  • Radiação solar
  • Ultravioleta/infravermelha
  • Radiação ionizante
  • Ar seco e quente
  • Certos tipos de água
  • Fricção, atrito e raspagem
  • Ácidos, álcalis
  • Detergentes, sabões e desinfectantes
  • Solventes orgânicos
  • Alguns medicamentos tópicos e excipientes
  • Substâncias de uso profissional (cimento, cal, adubos, tintas, vernizes, algumas plantas)

A dermite de contacto alérgica é um tipo de eczema caracterizado por hipersensibilidade cutânea de tipo retardado, adquirida após contacto da pele com substâncias químicas bem determinadas, em relação às quais o organismo reage posteriormente de forma específica. De modo geral, para que a sensibilização ocorra, com a maioria dos produtos, é necessário contacto repetido, por vezes potenciado pela concentração da substância e existência de alterações cutâneas locais que facilitam a penetração percutânea do alergeno. Após esta fase de sensibilização ocorre a de reacção, em que estão envolvidos mediadores imunológicos em resposta à estimulação antigénica, os quais desencadeiam os fenómenos inflamatórios subsequentes da resposta imunitária. Esta surge na zona de aplicação do alergeno cerca de 12 a 24 horas depois — reacção de tipo retardado. Por vezes pode ocorrer sensibilização múltipla a diversos alergenos em resultado da exposição simultânea às diversas substâncias em causa.

Das inúmeras substâncias alergizantes, há algumas como o níquel, crómio, colofónia, propolis, Bálsamo do Peru, componentes da borracha, timerosal ou mistura de parabenos, presentes na composição de vários produtos de uso pessoal, cosmético ou medicamentoso, com elevado poder sensibilizante. De uma forma simplificada pode-se traçar uma correlação entre o eczema de contacto alérgico e substâncias de uso corrente.

O método de diagnóstico das dermites de contacto apoia-se na história clínica, em especial na anamnese, na evolução natural da doença, no exame das lesões, nas provas de supressão e de re-exposição aos alergenos, complementadas com provas epicutâneas para orientação e confirmação etiológica.

Para lá do tratamento do processo inflamatório da dermatite, é indispensável a supressão do contacto com o alergeno e informar o doente sobre os cuidados a ter e até alteração de hábitos ocupacionais ou de trabalho. As dermites de contacto são uma das principais causas de morbilidade ocupacional e absentismo levando a considerável número de dias de trabalho perdidos, pelo que é importante o diagnóstico, informação e prevenção deste tipo de patologia.